quarta-feira, dezembro 02, 2009

Toque




O ar estava tranquilo, até meio parado. Parecia que pairava uma névoa amazonense na rua, que deixava tudo meio sépia, como quando nos filmes querem que pareça um sonho. O mundo parecia que ia ficando na pele, enquanto vivíamos. Tudo grudava, ocupando cada poro. E isso ia dando mais calor. Andar na rua era como encontrar esse ar denso que pairava. Íamos trombando nele. Mas ainda assim, não era pesado. Era uma mistura de agonia e satisfação. Afinal, estávamos ali. Ainda não sei direito como chegamos aquele bar, mas lá ficamos. Sentia aquela presença ao meu lado que me trazia tranqüilidade, calma. Sempre foi assim, como uma fumaça sem vento, que sublima leve, reta, uma linha branca em direção ao infinito. Tínhamos um ao outro, e algumas palavras das quais agora não me recordo. Lembro apenas da sensação de estar lá, vivendo tudo naquele agora. Um sorriso, um copo, uma mão nos meus cabelos e a infinita imagem da lua cheia que incrivelmente não se escondia, somente iluminava essa noite quente, abafada, envolvendo aquela conversa. Como e quando nos tocamos? Também não sei dizer. Só sei que foi inevitável. Em um mesmo movimento de pegar a garrafa? Enquanto descansávamos a mão sobre a mesa? Quando buscávamos um ao outro? Não sei. Só sei que aconteceu. E foi assim.

1 Comments:

Blogger maria said...

menina clara, menina clarice, menina clarifica...

5:34 AM  

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